PNL 2050 precisa ser política de Estado para transformar planejamento em obras, defende a CNT em evento de entrega da avaliação estratégica
Entidade aponta a visão de longo prazo, integração modal e previsibilidade como pontos fundamentais, durante a apresentação da Avaliação Estratégica do PNL
O PNL (Plano Nacional de Logística) 2050 deve ser tratado como política de Estado e guiado por uma visão de longo prazo para que o planejamento se converta em obras e ganhos efetivos para o país, defendeu o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, na abertura do lançamento da Consulta Pública da Avaliação Estratégica do PNL, realizada na semana passada (18), na sede da Confederação, em Brasília.
Ao ressaltar a necessidade de transformar diagnósticos em execução contínua, o diretor reforçou que a estabilidade institucional é condição indispensável para que o planejamento resulte em obras prioritárias e avanços concretos para a logística nacional. “Um plano dessa envergadura só faz sentido se for tratado como política de Estado. Planejar com visão de longo prazo é o que garante que os planos saiam do papel”, disse.
Valter Souza destacou ainda que a multimodalidade representa uma solução estrutural para os gargalos históricos da infraestrutura brasileira, ao promover maior eficiência logística e melhor aproveitamento dos investimentos. “Não se trata de promover concorrência entre modais, e sim de reconhecer que não existe modal concorrente; existe modal complementar”, explicou. Para o diretor da CNT, essa diretriz deve nortear a integração entre rodovias, ferrovias, navegação, portos e aeroportos.
Nesse contexto, ele enfatizou que a articulação entre planejamento, investimentos e governança é fundamental para transformar diagnósticos em execução, assegurando previsibilidade, segurança jurídica e decisões mais eficientes para o desenvolvimento do transporte no país.
O diretor acrescentou que a CNT acompanha, de forma permanente, os desafios da infraestrutura brasileira, por isso defende que o PNL seja um instrumento dinâmico, capaz de orientar políticas públicas ao longo do tempo. Em sua fala, reafirmou o compromisso da Confederação e de suas 63 entidades vinculadas com a construção de um planejamento consistente. “Transformar isso em planejamento de longo prazo é algo em que vamos trabalhar”, disse ao agradecer a escolha da sede do Sistema Transporte como espaço de diálogo institucional.
Na sequência, o secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, destacou a importância da participação do setor produtivo e das entidades representativas na construção do plano, avaliando que o PNL representa um avanço significativo em relação a experiências anteriores, ao incorporar uma base inédita de dados, ampliar a participação social e fortalecer a qualidade técnica das decisões. “A participação social nunca foi tão ampla quanto agora, com escuta em todos os estados e até a contribuição de povos originários”, afirmou.
Santoro também ressaltou que o PNL consolida uma nova abordagem para o planejamento da infraestrutura, apoiada em dados mais precisos e em análises qualitativas sobre a realidade de quem opera e utiliza o sistema de transportes. Segundo ele, ouvir empresas, operadores e a sociedade permite identificar gargalos que nem sempre aparecem apenas nos indicadores numéricos. “O dado é fundamental, mas é frio. A percepção de quem está na ponta complementa esse diagnóstico e melhora as decisões”, explicou ao mencionar a abertura da consulta pública como parte desse processo.
Encerrando a mesa de abertura, o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, destacou que o país vive um momento singular em termos de planejamento e investimentos em infraestrutura e reforçou o papel do PNL como orientador das decisões futuras. Em sua avaliação, o plano organiza uma prateleira estruturada de projetos e estabelece diretrizes claras para a priorização dos investimentos.
“É fundamental que o país tenha projetos prontos e bem direcionados, e o PNL cumpre exatamente esse papel. Estamos falando de um plano pensado para o futuro, capaz de resolver problemas estruturais e dar continuidade ao desenvolvimento da infraestrutura brasileira”, concluiu.
O evento contou ainda com a participação de autoridades das áreas de transportes, portos, planejamento e articulação governamental, reforçando a integração institucional do PNL 2050. Estiveram presentes, pelo Ministério dos Transportes, a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, e o secretário nacional de Ferrovias, Leonardo Ribeiro. Pelo Ministério de Portos e Aeroportos, participaram a secretária nacional de Aviação Civil substituta, Clarissa Barros; o secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila; o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Büller; e o diretor de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação, Tetsu Koike. Pela Casa Civil, estiveram o subchefe da Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento, Maurício Muniz, e o secretário adjunto do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), Adailton Dias. Pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, participou a secretária nacional de Planejamento, Virgínia de Angelis.
Avaliação Estratégica do PNL 2050
Durante a apresentação da Avaliação Estratégica do PNL 2050, a subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, Gabriela Avelino, explicou que o trabalho apresentado conclui a etapa de definição dos objetivos que orientarão o planejamento do setor no longo prazo e servirão de base para a próxima fase, prevista para o primeiro trimestre de 2026, quando serão discutidos os cenários e os projetos prioritários. Segundo ela, o material adota uma abordagem abrangente ao combinar diferentes fontes de informação para qualificar o diagnóstico do sistema de transportes brasileiro.
De acordo com Gabriela, a metodologia reuniu quase cem entrevistas com empresas e associações do setor produtivo, consultas a gestores públicos dos 27 estados, além de cinco consultas públicas e cerca de 20 eventos regionais realizados ao longo do ano. A subsecretária destacou ainda que a Avaliação Estratégica inova ao priorizar a identificação dos problemas antes da definição das soluções, conectando diretamente os gargalos mapeados a projetos estruturantes e orientando investimentos públicos e privados de forma mais assertiva, com atenção a temas como multimodalidade, redução de emissões, acessibilidade regional, manutenção da infraestrutura e vulnerabilidade climática.
A CNT esteve presente em todas as rodadas regionais realizadas ao longo de 2025, com representantes das federações de transporte dos estados apresentando a realidade de cada região e propondo soluções concretas e de longo prazo.
Fonte: Agência CNT Transporte Atual




