Skip links

Mercado brasileiro exige boa gestão administrativa e financeira

Dois indicadores chamam atenção e trazem preocupação para o setor produtivo, especialmente ao transporte rodoviário de cargas.

O primeiro  trata da inadimplência no mercado brasileiro. Segundo dados do Banco Central, no início de 2026,  os índices foram recordes, com mais de 73,5 milhões de inadimplentes (43,1% da população adulta) e 8,9 milhões de empresas com dívidas e a inadimplência bancária atingiu 5,5% em janeiro de 2026.

Outro indicador,  um novo recorde ruim, é que o ano de 2025 registrou 5.680 empresas em recuperação judicial no país, um aumento de 24,3% em relação a 2024. Conforme dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial,  1.665 empresas entraram em processo de reestruturação no ano passado, alta de 35,2% em relação a 2024, enquanto 561 saíram.

Os analistas apontam como causas para estes recordes a elevada taxa básica de juros, a Selic, dificuldades de acesso ao crédito, endividamento das famílias, pressão inflacionária e crises no agronegócio. Condições que devem se agravar com novos fatores.

Diante deste cenário, acredito que o mercado transportador ficará cada vez mais competitivo e enfrentando forte pressão regulatória e operacional. Por isso,  volto a destacar a necessidade da apuração criteriosa entre custo da operação e valor do frete. Nesta avaliação recomendo ainda, atenção aos impactos dos novos custos com seguros, legislação do piso mínimo de fretes, custos tributários, perda de produtividade e custo social. Segundo Comunicado Conet, divulgado na semana passada, o setor apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais, conforme pesquisa da NTC&Logística.

A  recomendação do Conet, está dentro da linha que sempre defendo. “A sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente. É imprescindível o monitoramento constante das taxas adicionais e dos custos financeiros, além da cobrança correta de cubagem, para garantir a sustentabilidade do setor.”

Aponto estes dados para chamar atenção dos empresários  e executivos do transporte rodoviário de cargas na gestão de seus negócios adotando uma boa administração financeira e administrativa.

Marcel Zorzin, Presidente do SETRANS