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Reajustes acumulados no valor do diesel pressionam transportadoras

Desde o início do conflito no Irã, combustível acumula alta de 16,04% em Campinas, de acordo com pesquisa semanal de preços da ANP

O subsídio de R$ 1,52 por litro de diesel importado, proposto pelo governo federal em conjunto com os estados, aliviará a instabilidade no preço do combustível, mas será mantida a pressão por novo reajuste do frete pelo setor de cargas. A avaliação foi feita ontem pelo presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan, em entrevista ao Correio Popular, para quem “há um abuso excessivo” no reajuste dos preços desde o início da Guerra do Irã, em 28 de fevereiro. De acordo com ele, o óleo diesel tem um peso de 40% a 70% no custo do frete, dependendo da distância percorrida, com o setor não tendo condições de absorver os constantes aumentos, sob risco de uma quebradeira das empresas.

Na semana passada, o frete já teve um reajuste médio de 10% por conta da alta do combustível. O acordo proposto pelo governo federal estabelece uma subvenção total de R$ 1,20 por litro de diesel importado, a ser dividido igualmente pela União e 21 Estados que haviam aderido até o início da tarde de ontem. Somado ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, com a suspensão da cobrança do PIS/Confins sobre o diesel, a subvenção total chega a R$ 1,52. São Paulo ainda está fora desse pacto, mas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sinalizou a possibilidade de aderir.

Porém, de acordo com o presidente da FETCESP, os reajustes acumulados do diesel superam essa possível redução do preço, que deverá ser formalizada por meio de uma medida provisória nos próximos dias. “Se aumenta desse jeito, nós temos que repassar. Nós não temos como absorver isso. Ainda mais se imaginar os terceiros, os autônomos, a dificuldade que eles estão passando”, justificou o presidente da federação das transportadoras. O setor, explicou, é formado por cerca de 50 mil empresas, das quais 80% são de pequeno porte, com no máximo três caminhões, gerando 180 mil empregos diretos.

ACUMULADO

Desde o início do conflito, o óleo diesel acumula alta de 16,04% em Campinas, de acordo com pesquisa semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O litro passou de R$ 6,42 para R$ 7,45, diferença em termos absolutos de R$ 1,03 por litro. No caso do tipo S10, obrigatório para veículos fabricados a partir de 2014, por causa da tecnologia do motor, o reajuste chega a 22,65%, aumento de R$ 1,42. Porém, de acordo com Carlos Panzan, em outras cidades paulistas e estados, o reajuste é maior, elevando-se quanto mais distantes das refinarias produtoras.

O setor rodoviário é responsável por aproximadamente 65% de toda a carga transportada no país. “O transporte de carga é o responsável 100% pelas entregas no destinatário. Então, a última milha nós somos os responsáveis”, explicou o presidente do FETCESP. Sem apontar um responsável, para ele, “estão se aproveitando dessa situação” para elevar o valor do diesel acima do necessário, apesar das ações do governo federal e de vários órgãos para conter os reajustes.

No domingo (27), o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Pecar) publicou, no Correio Popular, uma carta aberta da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), também se eximindo da responsabilidade pelos aumentos. “O varejo de combustíveis representa o último elo de uma cadeia altamente estruturada, que envolve produção, refino, importação e distribuição. Diferentemente desses segmentos, o setor revendedor é pulverizado, competitivo e opera com margens reduzidas, conforme dados públicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), justificou a entidade patronal, que congrega 30 entidades regionais ou estaduais, entre elas a Recap.

EFEITO EM CADEIA

“A formação de preços dos combustíveis ocorre ao longo de toda a cadeia, sendo influenciada por fatores como o mercado internacional de petróleo, taxas de câmbio, custos logísticos, políticas comerciais de distribuidoras e carga tributária. O posto revendedor, por sua natureza, não possui ingerência sobre nenhum desses elementos”, argumentou a Fecombustíveis. Para o Panzan, medidas como melhorias das condições das rodovias brasileiras e combate aos roubos de cargas também contribuiriam para reduzir o custo dos fretes, com esses dois fatores representando um adicional de R$ 9,6 bilhões por ano. São R$ 7,8 bilhões de gastos a mais com combustível por causa das más condições das estradas e outros R$ 1,8 bilhão por conta das despesas com rastreamento de veículos, escolta de caminhões de carga e outras.

O presidente do FETCESP admitiu que nova elevação do frete gerará um efeito em cadeia, elevando os preços no varejo, afetando os consumidores e pressionando a inflação. “Eu sempre digo que nós somos o mal necessário”, afirmou Panzan. Ele ressaltou ainda que as transportadoras desenvolvem ações sociais, como o transporte gratuito das vacinas usadas durante a pandemia de covid-19 para todas as cidades do país e projetos desenvolvidos por meio dos Serviços Sociais do Transporte (Sest) e Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat).

Fonte: Correio Popular