Rodoanel vai retirar 15% dos caminhões das ruas de SP quando estiver pronto
Previsão de término é o segundo semestre de 2026, quando os 177 km finalmente forem entregues, depois de 24 anos de espera
A ideia de criar um anel viário em torno de São Paulo surgiu nos anos 1950, quando foram feitos os primeiros estudos, mas o projeto só ganhou força depois de 1990.
A Região Metropolitana de São Paulo é um dos maiores entroncamentos rodoviários do Brasil e por ela passam, nascem ou terminam dez importantes rodovias estaduais e federais: Anhanguera, Bandeirantes, Anchieta, Imigrantes, Fernão Dias, Raposo Tavares, Dutra, Ayrton Senna, Castelo Branco e Régis Bittencourt.
O grande problema é que, para acessar corredores de cargas, era necessário passar por dentro da cidade, trazendo para o trânsito paulistano um ônus injusto para quem vive na cidade.
Quando estiver completo, com seus 177 km, o Rodoanel Mário Covas terá consumido, em números corrigidos e após 24 anos de obras, um total de R$ 26 bilhões.
A obra tem potencial para retirar das principais vias da cidade cerca de 15 mil caminhões por dia, de um universo de 100 mil caminhões que rodam pela capital diariamente, segundo levantamento da CET. Com essa estimativa é possível concluir que rodoanel vai retirar 15% dos caminhões das ruas de SP quando estiver pronto.
O especialista Rafael Drumond, mestre em Planejamento Urbano, considera o Rodoanel uma obra que representa uma importante conquista para a região Metropolitana de São Paulo. “É um projeto que já contribui para diminuir o número de acidentes, preservar a infraestrutura urbana e reduzir os custos públicos de manutenção das vias de São Paulo. No curto prazo, a obra também poderá melhorar a fluidez do trânsito e as condições de circulação nas regiões que antes concentravam esse tipo de veículo”, diz o urbanista.
Apesar disso, Drumond faz a ressalva: “É importante entender que esse ganho de fluidez não significa que o problema do congestionamento estará resolvido, já que em São Paulo, estima-se que apenas 15% dos automóveis em circulação já sejam suficientes para provocar congestionamentos”, conclui.
Mais de 24 anos de espera
As obras do Rodoanel começaram em 1998, ainda no governo de Mário Covas, que dá nome ao projeto, e o primeiro trecho, o Oeste, foi inaugurado em 11 de outubro de 2002.
Este primeiro trecho tem 32 quilômetros de extensão e começa na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Perus, terminando no acesso à Rodovia Régis Bittencourt, no município de Embu das Artes.
“É importante entender que esse ganho de fluidez não significa que o problema do congestionamento estará resolvido, já que em São Paulo, estima-se que apenas 15% dos automóveis em circulação já sejam suficientes para provocar congestionamentos”, Rafael Drumond, mestre em Planejamento Urbano.
Ele atravessa as rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco e Raposo Tavares. Entre a Castelo Branco e Raposo Tavares, há um acesso urbano, na altura do Jardim Padroeira na cidade de Osasco e do Parque Jandaia, na cidade de Carapicuíba.
O Trecho Sul foi o segundo a ser inaugurado, com 57 km de extensão, em 1º de abril de 2010. Ele viabilizou a interligação, a partir do final do Trecho Oeste, no trevo da Rodovia Régis Bittencourt, ao Sistema Anchieta-Imigrantes.
Seu trajeto passa por estas rodovias e pelas cidades de Embu das Artes, Itapecerica da Serra, São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, até o km 86, no trevo de acesso à SPA-86/21, via de ligação entre o Rodoanel e a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, garantindo acesso ao Complexo Viário Jacu Pêssego que, por sua vez, se estende até à Rodovia Ayrton Senna.
O terceiro trecho completo do rodoanel é o Leste, que teve suas pistas abertas em 3 de julho de 2014, com 38 km de extensão, entre Mauá e a Rodovia Ayrton Senna. Sua extensão de 5,5 km até a Via Dutra foi aberta em 27 de julho de 2015.
Este trecho viabilizou a ligação entre as rodovias que servem à Baixada Santista com a Rodovia Presidente Dutra, desafogando o tráfego das Avenidas das Juntas Provisórias, Anhaia Melo e Salim Farah Maluf, que passam pelos bairros do Ipiranga, Vila Prudente e Tatuapé em São Paulo.
Trecho Norte tem mais de 10 anos de atraso
O Trecho Norte teve seus primeiros quilômetros oficialmente inaugurados em 22 de dezembro do ano passado depois de mais de 13 anos desde o início das obras e a retomada dos trabalhos em abril de 2024, após uma paralisação de seis anos.
O trecho entregue compreende 24 km na ligação das rodovias Fernão Dias (BR-381) e Presidente Dutra (BR-116).
Quando completo, vai servir para retirar da Marginal Tietê os veículos que partem de Minas Gerais, do Vale do Paraíba e do Rio de Janeiro para o Sul do país.
A previsão para a inauguração dos 20 km que ainda faltam no Trecho Norte é o segundo semestre deste ano. Este segmento vai da interligação até a Rodovia dos Bandeirantes fechando, finalmente, o anel viário em torno da Região Metropolitana de São Paulo, após 24 anos de espera.
Fonte: Estadão – Jornal do Carro / Foto: Paulo Guereta / Governo do Estado de SP




