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Boletim da CNT destaca crédito para renovação da frota e inflação dentro da meta em dezembro

Medida provisória cria linha de R$ 6 bilhões para caminhões, enquanto IPCA recua para 4,46% em 12 meses e fica abaixo do teto da meta pela primeira vez em mais de um ano

O Boletim de Conjuntura Econômica de dezembro de 2025, elaborado pela CNT, aponta avanços relevantes para o setor de transporte e para a economia brasileira ao destacar a criação de uma linha de crédito de R$ 6 bilhões voltada à renovação da frota de caminhões e a volta do IPCA para dentro do teto da meta de inflação após mais de um ano.

Um dos pontos centrais do Boletim é a Medida Provisória nº 1.328/2025, que instituiu uma linha de crédito de R$ 6 bilhões voltada à renovação da frota de caminhões no país. Os recursos serão operados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e poderão ser acessados por transportadores autônomos, cooperativas e empresas de transporte de diferentes portes. A iniciativa busca reduzir a idade média dos veículos pesados em circulação, aumentar a eficiência logística e contribuir para a redução de custos operacionais e impactos ambientais no transporte rodoviário de cargas.

No mercado de veículos pesados, o Boletim de Conjuntura Econômica de dezembro aponta um desempenho marcado por desaceleração na frota de caminhões e crescimento no segmento de ônibus ao longo de 2025. Até novembro, foram emplacados 103,7 mil caminhões novos, volume 8,6% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, enquanto o emplacamento de ônibus somou 21.863 unidades, com crescimento de 8,2% na mesma base de comparação. A produção nacional de caminhões caiu de 130.573 unidades em 2024 para 118.393 em 2025, ao passo que a produção de ônibus avançou de 26.055 para 27.490 unidades.

Apesar da retração na produção de caminhões, o Boletim destaca o aumento das exportações em ambos os segmentos, com maior dinamismo entre os caminhões pesados e semipesados, além da manutenção da forte dependência do diesel, que responde por 98,7% dos novos veículos emplacados.

O Boletim também ressalta que a nova linha de financiamento reforça a relevância histórica do setor de transporte na carteira do BNDES. Até setembro de 2025, o banco desembolsou R$ 101,9 bilhões, sendo R$ 6,9 bilhões destinados ao transporte rodoviário. Entre 2015 e 2024, o segmento de Transporte, Armazenagem e Correio concentrou 18% de todos os recursos liberados pela instituição.

No campo macroeconômico, a edição de dezembro aponta um avanço importante no controle da inflação. Em novembro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses recuou para 4,46%, abaixo do teto da meta de 4,50% estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Trata-se da primeira vez, desde setembro de 2024, que a inflação oficial fica dentro do limite máximo da meta.

Segundo o Boletim, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, o IPCA registrou alta de 3,92%. Em novembro, o grupo Transportes teve variação de 0,22%, com altas concentradas em passagens aéreas, transporte por aplicativo e transporte público. No acumulado de 12 meses, a inflação desse mesmo grupo atingiu 3,0%, exatamente o centro da meta de inflação.

Em dezembro de 2025, o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre de 2025 cresceu 0,1% em comparação com o período imediatamente anterior, alcançando R$ 3,23 trilhões. Com relação ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,8%. O PIB do setor de Transporte, Armazenagem e Correio também registrou crescimento, de 2,7%, no terceiro trimestre de 2025. Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o crescimento do setor foi de 4,2%.

O Boletim ainda destaca o novo recorde atingido pelo índice Ibovespa, alcançando 164 mil pontos. A alta pode ser explicada, em parte, pela desaceleração da inflação, que reforça as expectativas do mercado quanto a uma possível redução da taxa de juros a partir dos primeiros meses de 2026.

Fonte: Agência CNT Transporte Atual