Transporte reforça papel estratégico diante de novas oportunidades comerciais e desafios econômicos em 2026, aponta CNT
Boletim de Conjuntura Econômica destaca potencial do acordo Mercosul–União Europeia, resiliência do setor e desempenho sólido, mesmo em um cenário de juros elevados
O início de 2026 ocorre em um contexto de mudanças relevantes no cenário internacional, com destaque para a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, que estabelece a maior zona de livre comércio do mundo. Segundo o Boletim de Conjuntura Econômica, elaborado pela CNT, o acordo tende a impulsionar, de forma gradual, o fluxo de comércio exterior e os investimentos em infraestrutura logística, terminais e sistemas operacionais mais eficientes, ampliando as oportunidades para o setor de transporte e reforçando a necessidade de avanços estruturais para atender às novas demandas do mercado internacional.
Com a aprovação na União Europeia e a assinatura do acordo em janeiro de 2026, o tratado entre Mercosul e União Europeia passou a estruturar um mercado integrado de mais de 730 milhões de consumidores (285 milhões de pessoas no Mercosul e 450 milhões na União Europeia) e PIB superior a US$ 22 trilhões, ampliando oportunidades para o transporte e a logística.
O estudo também aponta que o setor enfrentou, no segundo semestre de 2025, impactos relevantes decorrentes da retração das exportações brasileiras para os Estados Unidos, em função das tarifas adicionais impostas em agosto de 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, as vendas ao mercado norte-americano recuaram 6,6%, com quedas expressivas em segmentos como minérios, madeira e papel, combustíveis minerais, ferro e aço, produtos com elevada participação na pauta exportadora e forte dependência dos serviços de transporte.
O boletim ressalta ainda que, enquanto diversas economias vêm adotando uma trajetória de redução dos juros, o Brasil permanece com uma das maiores taxas reais do mundo, o que impõe desafios adicionais à competitividade dos setores produtivos frente aos concorrentes internacionais. Por outro lado, esse cenário tem contribuído para a valorização do real frente ao dólar, reduzindo pressões inflacionárias e favorecendo, em parte, o ambiente macroeconômico.
Mesmo diante desse contexto, o setor de transporte iniciou 2026 mantendo um desempenho consistente e acima do patamar observado antes da pandemia. De acordo com o levantamento, o volume de serviços de transporte segue 22,9% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, evidenciando a resiliência e a importância estrutural do setor para a atividade econômica brasileira.
Os dados mais recentes da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE, mostram que, embora o setor tenha apresentado ajuste pontual em novembro de 2025, o transporte de cargas permanece como principal vetor de sustentação da atividade, operando 40,5% acima do nível pré-pandemia. Na comparação com novembro de 2024, o segmento avançou 4,6%, enquanto, no acumulado de 2025, o crescimento foi de 1,7%, refletindo a continuidade da demanda logística associada ao abastecimento interno e às exportações.
O transporte de passageiros também manteve trajetória positiva no médio prazo. Apesar da retração mensal de 0,5% em novembro, o segmento encerrou o ano com crescimento de 7,3% no acumulado de 2025 e opera 12,5% acima do patamar anterior à crise sanitária, sinalizando recuperação estrutural da mobilidade no país.
Do ponto de vista dos custos operacionais, o boletim aponta um cenário mais favorável. Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, dentro do teto da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional), o menor resultado anual desde 2018. No grupo “Transportes”, a inflação acumulada em 12 meses foi de 3,07%, abaixo do índice geral, com destaque para a categoria “Transporte por Aplicativos”, que registrou alta de 56,08% no ano.
Entre os principais insumos do setor, o óleo diesel apresentou queda de 0,27% em dezembro e acumulou alta de apenas 0,76% em 2025, o menor avanço desde 2021. Outros itens relevantes, como pneus e óleo lubrificante, também registraram variações moderadas, enquanto os pedágios acumularam retração de 2,41%, contribuindo para maior previsibilidade nos custos das empresas.
Para a gerente executiva de Economia da CNT, Fernanda Schwantes, o boletim mostra que o transporte brasileiro segue desempenhando um papel central na dinâmica econômica do país. “Mesmo diante de um cenário de juros elevados e ajustes pontuais na atividade, o setor mantém níveis de operação superiores aos observados antes da pandemia. Isso reforça a importância de políticas que ampliem a eficiência logística, a previsibilidade regulatória e a capacidade de investimento das empresas”, ressaltou.
Fonte: Agência CNT Transporte Atual




