Brasil ainda depende dos caminhões para movimentar quase 70% das cargas
Levantamento traça retrato da logística brasileira e aponta os principais desafios para o transporte de cargas nos próximos anos
O transporte rodoviário continua sendo o principal meio de movimentação de cargas no Brasil. Segundo o novo Panorama de Transporte Rodoviário de Cargas, os caminhões respondem por 68,5% de toda a carga transportada no País, considerando o indicador tonelada-quilômetro (TKU). Quando a comparação leva em conta o valor das mercadorias transportadas (VKU), a participação sobe para 84,3%.
Os dados reforçam a dependência da economia brasileira das rodovias para abastecer cidades, atender a indústria e escoar a produção agrícola e mineral. O levantamento também mostra que o Brasil possui mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias, dos quais cerca de 31 mil quilômetros são administrados pela iniciativa privada.
Agro concentra principais corredores logísticos
O estudo aponta que os fluxos rodoviários acompanham a vocação econômica de cada região do País. A produção de soja e milho abastece corredores de exportação em direção ao Arco Norte e aos portos das regiões Sul e Sudeste. Já a movimentação de cargas conteinerizadas mantém o Porto de Santos como principal hub logístico brasileiro, enquanto os granéis minerais seguem concentrados entre Minas Gerais e os portos fluminenses.
Diesel domina o transporte
Apesar do avanço de combustíveis alternativos, o diesel continua sendo a principal fonte de energia do transporte rodoviário de cargas.
Segundo o Panorama, o consumo do combustível no setor se aproximou de 70 milhões de metros cúbicos em 2025, refletindo a forte participação dos caminhões na logística nacional.
Setor criou mais de 46 mil empregos
Além do peso na economia, o transporte rodoviário também segue como importante gerador de empregos. O levantamento mostra que o setor encerrou 2025 com saldo positivo superior a 46 mil postos formais de trabalho.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta desafios estruturais para os próximos anos, como a renovação da frota — especialmente entre transportadores autônomos —, a elevada sinistralidade nas rodovias brasileiras e a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Dependência das rodovias continua sendo desafio
Embora o Brasil venha ampliando investimentos em ferrovias, hidrovias e cabotagem, o modal rodoviário permanece como o principal elo da logística nacional.
Na prática, isso significa que oscilações no preço do diesel, problemas de infraestrutura e interrupções nas rodovias têm impacto direto sobre o transporte de mercadorias, os custos logísticos e, consequentemente, o preço de diversos produtos para consumidores e empresas.
Fonte: Estadão / Foto: Randon




